Em público calo minha boca em afirmar ter um certo niilismo em torno do cinema nacional de grande porte.
Existem suas raras exceções que esqueci de valorizar. Não assisti "Tropa de Elite", mas tive uma experiência que jamais esquecerei, não gosto de falar da narrativa fílmica nesse blog, isso é para resenhistas com a arma na cabeça...Aqui apenas conto o efeito causado após o contato com a obra.
A polícia do RJ é analisada até a última gota, com uma crítica ao seu sucateamento estrutural e operacional onde reina a corrupção e o tráfico, com doses violentas de verdade, "Tropa de Elite" mergulha fundo na miséria terceiromundista em que vemos pelos jornais e depois continuamos nosso jantar confortável, um impacto como esse só tive depois de MV Bill tomar aquela linda iniciativa de "Falcão" na TV Globo.
Vivemos num sistema REALMENTE falido e sem possibilidades de mudança e nossa consciência burguesa em doar donativos para centros de caridade não passa de uma válvula furada, pois o crime é automaticamente realimentado por esses mesmos burgueses escrotos que cheiram pó e fumam maconha em suas boates semanais.
O cinema como espaço de esperança e denúncia e nós como espectadores da imobilidade.
Bricolo uma frase de Sganzerla para fazer a seguinte reflexão: "Seria o povo traidor ou covarde?"
Quem não se emocionar com esse filme me liguem que eu ajudo no dia de seu enterro...pois muitos verão e vão dizer: "é bom" e sairão dos cinemas para seus apartamentos luxuosos na zona de classe média, ligarão suas cercas elétricas e esquecerão da escória que estamos criando.
Agora sim posso afirma que nós... sobreviventes desse horror lapidado por filmes for export, somos os verdadeiros bandidos e financiadores de nossa própria morte.
Como diz o ditado: "Na noite, os ricos não dormem com medo de serem mortos, e rezam nos seus condomínios, ao mesmo tempo que os pobres não dormem para sair de suas casas para roubar os ricos".
Ao assitir, por favor...não durmam.
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